Controle das águas na fase definitiva
Na fase de uso, a obra deve ser protegida de forma duradoura contra a ação da água. Duas abordagens complementares:
- Abordagem ativa — agir sobre o lençol para reduzir as solicitações na obra (drenagem)
- Abordagem passiva — tornar a obra estanque para resistir às solicitações (impermeabilização tipo cuba)
A natureza e a qualidade dos dispositivos dependem de dois fatores: a destinação da obra (estacionamento, ambientes nobres, arquivos, sala limpa…) e a natureza dos materiais envolventes.
1. A drenagem
Quanto mais argiloso o terreno, mais é preciso drenar.
O princípio é coletar a água que se acumularia em contato com a obra para dirigi-la a um exutório (rede, infiltração). Suprime-se assim a pressão hidrostática sobre as paredes enterradas.
Drenagem das paredes de arrimo
A drenagem a implantar depende do sistema de fôrma e da natureza da parede:
- Parede moldada em fôrma dupla — drenagem clássica no pé com geotêxtil drenante, complexo drenante ou membrana com saliências.
- Parede de arrimo em fôrma simples / concreto projetado — drenagem mais delicada, frequentemente integrada ao complexo de impermeabilização.
Composição típica de uma drenagem periférica:
- Parede de concreto armado com barbacãs ou drenos filtrantes no pé
- Camada drenante vertical (pedrisco, complexo alveolar, geocomposto)
- Geotêxtil filtrante separando a drenagem do aterro a jusante (anti-colmatação)
- Aterro de aporte selecionado
- Dreno no pé da parede, em declive até uma caixa exutória
- Evacuação gravitacional até um poço ou uma rede
2. As impermeabilizações tipo cuba
A impermeabilização tipo cuba é um sistema de estanqueidade que torna a obra enterrada impermeável à água. Várias tipologias, codificadas pela norma NF P 11-221:
Tipo A — Obras de estrutura relativamente estanque
A estanqueidade é garantida pela compacidade e resistência do próprio concreto. É tipicamente o caso das paredes diafragma: é o concreto, pela sua compacidade, que se opõe à passagem da água. Admite-se uma leve passagem de água (média anual < 1 L/dia/m²) com vazão controlada e eventualmente recuperada.
Os principais defeitos a vigiar em uma parede diafragma:
- Cobrimento deficiente das armaduras
- Juntas defeituosas entre painéis
- Falta de profundidade (carência de embutimento)
- Saliência (nata, desmoronamento)
- Defeito de verticalidade
Tipo B — Obras estanqueadas por revestimento (intradorso)
Um revestimento é aplicado na face interna da parede (lado do ambiente). Duas famílias:
Impermeabilização — um produto à base de argamassa, resina ou cristalização é aplicado sobre o suporte de concreto. Ele não deixa passar a água líquida, mas não impede a difusão do vapor d'água. Aceitável para ambientes tipo estacionamento. Para ambientes nobres, é preciso prever uma parede dupla ventilada.
A cristalização é um sistema por impregnação: uma calda de cimento contendo um aditivo modifica a estrutura do concreto e o torna estanque em alguns cm de profundidade.
Limites das impermeabilizações de intradorso tradicionais:
- Não resistem à fissuração do suporte
- São permeáveis ao vapor d'água (cristalização)
- Só podem ser executadas sobre estruturas calculadas para recebê-las, o que as torna impróprias para muitos projetos de reabilitação
Estanqueidade — revestimento constituído por uma membrana plástica, elasto-plástica ou elástica. Detém ao mesmo tempo a água líquida e o vapor d'água. Muito mais eficiente, mas mais caro.
Tipo C — Obras estanqueadas por revestimento exterior (extradorso)
O revestimento de estanqueidade é aplicado no exterior da estrutura resistente, a montante do empuxo de água. É a solução de referência na construção nova quando o acesso ao aterro é possível. A membrana (manta betuminosa, geomembrana PVC ou EPDM, asfalto) é protegida por uma camada drenante antes do reaterro.
O caso das patologias durante a execução
Durante os trabalhos de impermeabilização, a preparação do suporte por jateamento revela às vezes a presença de uma fissuração importante da laje suspensa, ou fissuras aparecem após a cristalização. Várias soluções técnicas existem, entre elas a solução TECTOPROOF (ATex Caso A emitido pelo CSTB) que permite realizar uma impermeabilização estanque no intradorso: localização e abertura das fissuras, injeção e calafetagem, remoção do revestimento, execução do processo Tectoproof CA, e depois um revestimento de acabamento à base de quartzo que confere proteção mecânica e acabamento decorativo.