Controle das águas na fase definitiva

Na fase de uso, a obra deve ser protegida de forma duradoura contra a ação da água. Duas abordagens complementares:

A natureza e a qualidade dos dispositivos dependem de dois fatores: a destinação da obra (estacionamento, ambientes nobres, arquivos, sala limpa…) e a natureza dos materiais envolventes.

1. A drenagem

Quanto mais argiloso o terreno, mais é preciso drenar.

O princípio é coletar a água que se acumularia em contato com a obra para dirigi-la a um exutório (rede, infiltração). Suprime-se assim a pressão hidrostática sobre as paredes enterradas.

Drenagem das paredes de arrimo

A drenagem a implantar depende do sistema de fôrma e da natureza da parede:

Composição típica de uma drenagem periférica:

  1. Parede de concreto armado com barbacãs ou drenos filtrantes no pé
  2. Camada drenante vertical (pedrisco, complexo alveolar, geocomposto)
  3. Geotêxtil filtrante separando a drenagem do aterro a jusante (anti-colmatação)
  4. Aterro de aporte selecionado
  5. Dreno no pé da parede, em declive até uma caixa exutória
  6. Evacuação gravitacional até um poço ou uma rede

2. As impermeabilizações tipo cuba

A impermeabilização tipo cuba é um sistema de estanqueidade que torna a obra enterrada impermeável à água. Várias tipologias, codificadas pela norma NF P 11-221:

Tipo A — Obras de estrutura relativamente estanque

A estanqueidade é garantida pela compacidade e resistência do próprio concreto. É tipicamente o caso das paredes diafragma: é o concreto, pela sua compacidade, que se opõe à passagem da água. Admite-se uma leve passagem de água (média anual < 1 L/dia/m²) com vazão controlada e eventualmente recuperada.

Vista de uma grande escavação cercada por paredes diafragma
Grande escavação parisiense cercada por paredes diafragma. Visível à esquerda, o equipamento de perfuração hydrofraise instalado no pé da parede: é ele que escava, sob lama bentonítica, os painéis sucessivos que constituirão a parede periférica enterrada.
Gaiola de armadura vertical para parede diafragma
Manuseio vertical de uma gaiola de armadura para painel de parede diafragma: a gaiola é descida na trincheira preenchida com lama bentonítica, pouco antes da concretagem por tubo tremonha. A qualidade do cobrimento das armaduras é um dos pontos críticos da estanqueidade do painel acabado.

Os principais defeitos a vigiar em uma parede diafragma:

Esquema de execução dos painéis de uma parede diafragma
Esquema de execução de uma parede diafragma por painéis primários (1, 2, 3) e secundários (4, 5, 6, 7) intercalados, comprimento típico 3 a 6 m. É no nível das juntas entre painéis que se concentra a maioria dos defeitos de estanqueidade: o desvio de verticalidade, a qualidade da raspagem e o modo de fôrma da junta condicionam diretamente a passagem residual de água.

Tipo B — Obras estanqueadas por revestimento (intradorso)

Um revestimento é aplicado na face interna da parede (lado do ambiente). Duas famílias:

Impermeabilização — um produto à base de argamassa, resina ou cristalização é aplicado sobre o suporte de concreto. Ele não deixa passar a água líquida, mas não impede a difusão do vapor d'água. Aceitável para ambientes tipo estacionamento. Para ambientes nobres, é preciso prever uma parede dupla ventilada.

A cristalização é um sistema por impregnação: uma calda de cimento contendo um aditivo modifica a estrutura do concreto e o torna estanque em alguns cm de profundidade.

Limites das impermeabilizações de intradorso tradicionais:

Estanqueidade — revestimento constituído por uma membrana plástica, elasto-plástica ou elástica. Detém ao mesmo tempo a água líquida e o vapor d'água. Muito mais eficiente, mas mais caro.

Tipo C — Obras estanqueadas por revestimento exterior (extradorso)

O revestimento de estanqueidade é aplicado no exterior da estrutura resistente, a montante do empuxo de água. É a solução de referência na construção nova quando o acesso ao aterro é possível. A membrana (manta betuminosa, geomembrana PVC ou EPDM, asfalto) é protegida por uma camada drenante antes do reaterro.

O caso das patologias durante a execução

Durante os trabalhos de impermeabilização, a preparação do suporte por jateamento revela às vezes a presença de uma fissuração importante da laje suspensa, ou fissuras aparecem após a cristalização. Várias soluções técnicas existem, entre elas a solução TECTOPROOF (ATex Caso A emitido pelo CSTB) que permite realizar uma impermeabilização estanque no intradorso: localização e abertura das fissuras, injeção e calafetagem, remoção do revestimento, execução do processo Tectoproof CA, e depois um revestimento de acabamento à base de quartzo que confere proteção mecânica e acabamento decorativo.